Marketing esportivo para homens

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Marketing esportivo para homens

Marketing esportivo para homens

 

Há dois anos, em uma palestra que fazia pela TK10, uma aluna, ansiosa por ingressar na área, me perguntou se eu achava o mercado de trabalho esportivo machista. Eu disse que sim.

 

Não quis frustrá-la, embora provavelmente o tenha feito. Quis, no entanto, mostrar a realidade. Afinal, nada mais “natural” do que o mercado refletir a sociedade.

 

O esporte é machista. É só a gente pensar nas arquibancadas, nas bandeirinhas e nas juízas. É só a gente pensar no compilado “as 10 atletas mais bonitas que estarão nas Olimpiadas do Rio”, que certamente encontraremos por aí em breve. O esporte é machista porque estipulou-se, em algum momento, que só o público masculino gosta de esporte. Se é assim com o esporte, por que, então, seria diferente com o mercado esportivo?

 

Tivemos uma estagiária que nos confessou estar prestes a desistir de entrar no mercado, pois se candidatava a todo tipo de vaga e quase nunca era chamada para entrevistas. No nosso primeiro papo ela, inclusive, chegou a nos agradecer de coração pela oportunidade, dizendo que estava feliz “só de estar aqui”. Não fomos “heróis” e nem “generosos” ao contratá-la. Na minha visão, ela era uma candidata forte para qualquer oportunidade no setor: se comunicava bem, tinha conhecimento e vontade de aprender, e paixão por quase todas as modalidades esportivas.
Com a convivência, ela foi nos relatando alguns casos lamentáveis que enfrentou enquanto buscava uma oportunidade de entrar no marketing esportivo. Entre eles, o que mais me chamou atenção foi a de um processo seletivo que participou, por ser a vaga dos sonhos de qualquer profissional da área esportiva: trabalhar com o seu time de coração. Nesse processo, me disse, ela foi passando, etapa por etapa, até chegar à final, que consistia na entrevista com o gestor. Apenas duas pessoas chegaram até aquela fase, ela e outro candidato. Estava ansiosa e empolgada, porque trabalhar com o time de coração é a coisa mais legal que um apaixonado por esportes pode fazer. Mas ela não chegou a participar da etapa final: ao saber dos finalistas, o cliente optou pelo homem.

 

Foi esse o feedback que ela recebeu da empresa. “O cliente optou pelo outro candidato”. Sem nem mesmo tê-la conhecido.

 

Veja bem, o problema não foi exatamente ela não ter conseguido a vaga. Tivessem sido, os dois, entrevistados, em condições de igualdade, e tivesse o gestor optado pelo candidato, as coisas teriam seguido normalmente. O problema, óbvio, foi o raciocínio: entre o homem e a mulher, opto pelo homem que, por ser homem, deve saber mais de futebol.

 

Esse é apenas um exemplo. Tenho certeza de que temos milhões de outros. Tenho cuidado, dia após dia, para não cometer algum similar, em maior ou menor escala.

 

Hoje, se pudesse reencontrar a aluna que me fez aquela pergunta na palestra, diria que as coisas estão mudando para melhor. Bem aos pouquinhos, é verdade, mas estão.

 

Não sei se diria que a perspectiva é otimista, porque o mercado clama por mudanças urgentes e a situação está muito longe de ser considerada ideal. Mas encaro como um sopro de esperança atitudes como a do pessoal do Pelado Real, que organiza treinamentos, peladas e campeonatos de futebol feminino aqui em São Paulo, e das meninas do dibradoras, que levantam a bandeira do futebol feminino no país.

 

Aos poucos, noto o maior espaço na mídia (do jeito certo, diga-se de passagem, e não no “top 10 beldades namoradas dos jogadores” ou “musa do seu time”) para a paixão da mulher pelo esporte. Vejo, também, campeonatos infantis de futebol, como a excelente Copa Danone, que permite times mistos, ou a PlayFC – Paz nas escolas, com quem temos a honra de trabalhar, que abre 5 categorias femininas para disputa.

 

O cenário, infelizmente, ainda é injusto. Muitas mulheres ainda precisarão empreender, persistir, ignorar e passar por cima de adversidades, muito mais do que nós, homens, estamos acostumados a fazer. Mas, embora não esteja mais fácil, acho que está menos difícil.

 

E espero que isso seja um progresso.

TK10
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