Os candidatos que nunca entrevistamos: quando “não-recrutadores” precisam recrutar.

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Os candidatos que nunca entrevistamos: quando “não-recrutadores” precisam recrutar.

Os candidatos que nunca entrevistamos: quando "não-recrutadores" precisam recrutar.

 

Duas semanas após criarmos a TK10, recebemos por e-mail o primeiro CV de um candidato. Não estávamos contratando, nenhum processo seletivo aberto, nada, mas a pessoa ligou para a agência, dizendo que queria trabalhar conosco e pedindo o e-mail de “departamento de RH”.


Me lembro do misto de empolgação/curiosidade com que encaramos a situação. Era ótimo ter chamado a atenção de alguém. Por outro lado, não tínhamos cases, clientes, muito menos orçamento sobrando para investir em talentos. Quem era o doido pedindo emprego aqui?


A agência estava em seu primeiro passo, éramos recém-formados com pouca experiência profissional, e já sentíamos, em escala mínima, o quanto todo mundo quer trabalhar.


Com os anos, sentimos isso na pele várias vezes. Com um agravante: nenhum dos sócios tinha um conhecimento prévio de recursos humanos ou de recrutamento propriamente dito. Sabíamos pouco do assunto: identificar o profissional certo, que entendesse os valores da agência, ajudá-lo a concretizar o seu potencial, mantê-lo motivado, trabalhando em equipe…


Não à toa existem profissionais e empresas que fazem esse tipo de trabalho. Não à toa pessoas estudam e se capacitam para isso.


O fato é que, como uma organização pequena que precisa lutar para se manter de pé, poucas vezes tivemos a oportunidade de tratar do assunto com os profissionais do ramo. Em outras palavras: fomos aprendendo na prática.


E aprender na prática quer dizer basicamente: errar, deixar passar, tentar aprender com o erro e eventualmente acertar.


Não quero nem começar a pensar em tudo o que deixamos passar: quantos ótimos candidatos sequer entrevistamos?


O que o candidato precisa ter sempre em mente é que, mesmo em estruturas pequenas, ele está competindo com alguém. Se é um ou se são milhares de competidores, não importa: essa competição, por menor que seja, já limita o tempo que o recrutador tem.


Além disso, sobretudo quando não se trata de um recrutador profissional, é importante o candidato lembrar que está, também, competindo com todos os outros afazeres do recrutador ou da recrutadora.


A coisa toda pode ser muito injusta: o fato é que não temos como saber quão bom é um candidato só pelo endereço de e-mail dele.


De modo que, ainda que ignorado (pelo menos por mim) na época da universidade, um bom CV continua sendo essencial. Não que um bom CV seja garantia de entrevista e de sucesso. Mas é muito mais fácil ignorar um CV ruim.


Pensando nisso, reuni alguns pontos que me fariam ignorar um currículo. Talvez eles possam ser interessantes pra você:


    1. Pode parecer óbvio, mas o CV precisa ter a ver com a vaga disponível: já recebemos diversos currículos em que o candidato(a) dizia que bastava entrar na agência, pouco importava a área. Reconheço o mérito na frase: atitude é tudo. No entanto, é fundamental que o candidato leia a descrição, se informe sobre a vaga, até para ele próprio não se frustrar se eventualmente for escolhido e descobrir que, no dia a dia, terá de fazer as coisas que menos gosta no mundo.
    2. Erros de português ou de digitação. Não existe um pior do que o outro nesse ponto: os dois são péssimos. Erro de digitação acontece com todo mundo mas, se você não revisa o próprio currículo, que garantias a gente tem de que você vai revisar o seu trabalho por aqui? Erros de português também machucam, sobretudo se, no descritivo da vaga, estão envolvidas atividades relacionadas à produção de texto/conteúdo.
    3. E-mail enviado para diversos destinatários: não é raro recebermos um texto padrão do candidato, dizendo que seria uma honra fazer parte do time e, no campo de destinatário, uma série de e-mails de profissionais de diversas empresas. Reconheço que todo esse processo de envio de currículos pode ser cansativo e frustrante. Além disso, é óbvio que os candidatos procuram oportunidades em diversos lugares, e é bom que seja assim. Mas uma atitude desse tipo transparece preguiça e ansiedade, como se o candidato estivesse atirando para todos os lados, sem se importar muito com o alvo. Além disso, expõe informações de profissionais que trabalham em outras empresas, muitas vezes em concorrentes. O mundo ideal, aqui, seria escolher aquelas empresas que mais te chamam a atenção e mandar e-mails personalizados a cada uma delas. Se isso já foi feito, e não deu resultado, tente pelo menos a cópia oculta 😉
    4. E-mails encaminhados sem um texto de apresentação: não que isso seja fundamental. Já abrimos diversos cv’s sem nenhum texto de apresentação do candidato. Mas faz muita diferença quando o candidato perde alguns minutos personalizando um texto, explicando o motivo de a vaga ter lhe chamado a atenção e o motivo de querer trabalhar conosco. Por isso, é importante que o candidato também conheça um pouco mais sobre a vaga, como dissemos no ponto anterior. Isso permitirá que ele escreva uma apresentação breve e sincera sobre suas motivações. Lembre-se de revisar o conteúdo e não force a barra: um texto simples e simpático tem um efeito muito positivo.
    5. Preste atenção e aprenda o que puder sobre o perfil da empresa. Isso pode te dar uma boa fotografia do estilo das pessoas que trabalham lá. Como é a linguagem do site? Quais são os valores que a empresa lista por lá? Que tipo de material eles postam nas redes sociais? Tenho algum amigo que conhece alguém que trabalha/já trabalhou lá, ou que já viu uma palestra de alguém que trabalhou lá? Tudo isso facilita. Por exemplo, caso nos acompanhe, você vai perceber que uma linguagem muito formal, do tipo “Prezado senhores, venho por meio deste” combina menos com aquilo que buscamos, independentemente da área de atuação.
    6. Para vagas envolvendo criação: julgar com justiça a criatividade/potencial criativo de um desconhecido beira o impossível. Além do currículo, é praxe o envio de um portfólio com os principais trabalhos realizados. Ainda assim, já recebemos diversos materiais interessantes, como candidatos que fizeram vídeos contando um pouco mais sobre si, de forma criativa, ou mesmo textos muito bem escritos. Em resumo: se criatividade é importante para a vaga, uma apresentação criativa ganha pontos imediatamente.

A maioria desses pontos parece óbvia. No entanto, é assustador como alguns deles continuam se repetindo. E, com isso, muito talento pode estar sendo desperdiçado por aí, e por aqui também.


É claro que pode acontecer de o candidato fazer tudo direitinho e não ficar com a vaga. Ou de o candidato derrapar em algum dos pontos anteriores e conseguir a vaga mesmo assim. Mas vocês ficariam surpresos com o quanto esses pequenos detalhes fazem a diferença nos momentos de decisão.


Não se esqueça de comentar/criticar/sugerir/perguntar aqui nos comentários.


Um abraço e até a próxima!


Thales
TK10
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