Trabalho dos sonhos: alguns pitacos sobre trabalhar com Marketing Esportivo

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Trabalho dos sonhos: alguns pitacos sobre trabalhar com Marketing Esportivo

Trabalho dos sonhos: alguns pitacos sobre trabalhar com Marketing Esportivo

 

Quando falo que trabalho com marketing esportivo a amigos e conhecidos, noto dois tipos principais de reação: as pessoas que não gostam muito de esportes me imaginam como um daqueles fanáticos que ficam vendo os VT’s dos jogos no domingo à noite (sim, faço isso). Os apaixonados por esporte acham que eu tenho o emprego dos sonhos.

 

Há, também, uma aura de glamour em torno do setor, que ambos os grupos compartilham: todo mundo me imagina em reunião com o Ronaldo ou planejando a carreira do Neymar. É, de fato, o sonho da vida de todo e qualquer amante do esporte: aliar paixões do dia-a-dia à vida profissional. Poder ver um jogo da Champions no trabalho. Tem jeito de isso ser ruim?

 

Há alguns anos, o “marketing esportivo” vem sendo o desejo de carreira de jovens universitários e de profissionais que, antes de Copa do Mundo e Olimpiadas, não encontravam um mercado aquecido ou oportunidades suficientemente seguras para seguir no setor. Agora, felizmente, essa perspectiva está mudando: cada vez mais cursos de aperfeiçõeamento, graduações e pós-graduações nos ajudam a entender a infinidade de oportunidades que o marketing esportivo nos oferece.

 

Posso falar disso por experiência própria: há alguns anos, era eu um desses universitários sonhadores. Motivados pela paixão por esportes e pela vontade de empreender, eu e meu sócio resolvemos nos aventurar. Criamos uma agência digital focada em marketing esportivo. A ideia era romântica, como a esmagadora maioria das ideias empreendedoras: trabalhar com esporte para o resto de nossas vidas.

 

Hoje, um pouquinho mais experiente, penso que consigo traçar um cenário um pouco mais real do dia a dia da área. Talvez isso te ajude, ó apaixonado por esportes que ainda não trabalha com sua paixão.

 

A boa notícia: é uma delícia trabalhar com isso. Um dos grandes dilemas éticos do profissional de publicidade é trabalhar com aquilo que não gosta, que não conhece ou em que não acredita. No nosso caso, isso praticamente não acontece. É uma das belezas do empreendedorismo, afinal de contas. E não deixa de ser satisfatório observar que, mesmo após 4 anos de agência, essa “pureza” inicial permanece: continuamos acreditando que o esporte transforma vidas.

 

No entanto, algumas particularidades desse mercado continuam me surpreendendo, às vezes negativamente. A primeira delas, curiosamente, é a mesma que nos trouxe a esse mercado: a paixão.

 

A paixão, quando desprovida de razão, pode fazer mal. E não faltam exemplos no mercado que nos comprovam isso: pense naquele dirigente que é completamente apaixonado pelo próprio clube, ainda que não tenha a competência profissional que sua posição exige. Pense no seu clube contratando o melhor profissional da área, mas que é torcedor assumido do seu rival. Pense na reação da maioria dos torcedores. Coisas do esporte.

 

Traga isso para o seu consumidor: estamos falando de alguém que ama e que odeia com intensidades impressionantes. Os erros, tão normais em qualquer área, assumem proporções muito maiores no esporte: experimenta fazer um errinho de texto com esses caras, pra ver o que acontece.

 

A paixão divide e maqueia. Na TK10, cansamos de receber currículos de apaixonados por futebol que, em posteriores entrevistas de emprego, eram na realidade apaixonados pelos próprios clubes. Há uma diferença gritante nisso: você, torcedor fanático do Corinthians, conseguiria trabalhar com a mesma paixão caso o seu cliente fosse o Palmeiras? Pense bem antes de responder.

 

Outra coisa que a gente ouve muito dos nossos candidatos é “eu sou apaixonado por futebol”. A gente sabe que o futebol é o esporte preferido pela maioria dos brasileiros. Mas marketing esportivo vai muito além dele. Você não precisa ser fanático por todos os esportes do mundo. Mas precisa se abrir a todo e qualquer esporte que surja. É possível, até provável, que você demore a trabalhar com o Neymar. E tudo bem: vai ser legal mesmo assim.

 

Por fim, é importante lembrar que, ainda que seja com esporte, isso continua sendo um trabalho. Você continuará tendo que fazer coisas chatas, cansativas e estressantes. No nosso caso, como a maioria das agências, continuamos lidando com os prazos apertados, as campanhas estressantes, os feedbacks de cliente e as opiniões alheias, que publicitários, muitas vezes, têm dificuldade em aceitar. Sem falar do pessoal que produz eventos, que lida com varejo, com mídia, com repercussão, com resultados… A lista é longa, e a pura paixão pelo esporte talvez não seja suficiente pra te sustentar nisso.

 

Espero que você não desanime. Há um mar de oportunidades ainda não exploradas e qualquer profissional apaixonado é bem vindo. Mas é importante saber que, no cenário atual, precisamos mais de profissionais apaixonados do que de apaixonados profissionais.

 

Thales

 

TK10
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